sábado, 26 de janeiro de 2013

A morte do tempo



Le mort du tiemps

 Jokebed L. Taveira

Rápido, ligeiro
Covarde, sorrateiro
Efêmero, passageiro
Hóspede em cativeiro
Ou seríamos nós os prisioneiros?

Está em tudo,
Algoz da vitalidade
Na luz, na escuridão
No inverno, no verão
Faz do novo um ancião   

Ele orienta,
Esfria, esquenta
Equilibra e acalenta
Ampara e atormenta

Quanto tempo dura um tempo?
Pode durar um momento
Pode durar uma eternidade
Este cálculo também depende da idade,
Mas isso não parece novidade

Ampulheta, cronômetro, detonador
Hábil controlador
Leva e traz saudade
Reconstrói o que restou
Vilão ou vingador?

Do eclipse ao luar
Visão espetacular
Notícias de explosão solar
Com profecias de assustar
Será que o fim do tempo enfim chegará?



Devaneios existenciais



Devaneios existenciais

Jokebed L. Taveira

O que você é?
O que você quer?
O que você tem?

Pra onde você vai?
De onde você vem?
 Irá com quem?

O que te move?
O que te comove?
O que te convém?

O que você traz?
O que você faz?
O que te apraz?

A quem você atende?
O que você entende?
O que te surpreende?

O que você come?
O que te consome?
O que te sustem?

Por que parar?
Por que não tentar?
Por que ter medo de errar?

O que buscará?
Pelo quê lutará?
Amanhã ainda terá?

Se sabe o que é,
Se ainda quer,
Vale a pena levar

Se tem um porquê,
Se vai durar,
Vale a pena conquistar

Se tem com quem ir,
Se pode dividir,
Vale a pena seguir

Se te faz feliz,
Se é o que você sempre quis,
Cuide para que tenha raiz

Conviver



Conviver 

Jokebed L. Taveira

Viver, sentir, querer
Sonhar, se iludir, se desfazer
Morrer para reviver
Ressurgir no alvorecer

Adormecer sem ver
Ter que ser
Ver para crer
Que o dia vai nascer
Depois do anoitecer

Estar presente
De corpo e mente
Se envolver absolutamente
Se dar plenamente
Na busca constante

De um prazer distante
Para viver um instante
Inconstante, pequeno, puro, raro,
Eloquente por vezes demente
Que passa rapidamente


A alguns fere gravemente
A outros mortalmente
Angustiando totalmente
Matando lentamente
Os que sensivelmente
Parecem carentes

Pouco ou nada intelectual
De objetividade banal
Num final um tanto ideal
Para o universo natural
Paralelo ao principal

Um estranho cúmplice,
Um amante envolvente
Que inesperadamente chega
E inevitavelmente sentencia os viventes

Fascinação Lunar




Fascinação lunar
 Jokebed L. Taveira
Linda de se ver
Imponente ao olhar
Mesmo estando tão distante
Diante de tamanha perfeição
É improvável não se apaixonar

A mudança de humor
Não esconde a quem a observa
Há dias em que encara com firme determinação
E noutros prefere encobrir-se na escuridão

Há dias em que parece querer tocar o chão,
Vagando sobre os mares
Noutros some na imensidão
Mas nos dias em que se ilumina
Envolve a muitos no seu clarão

De tão longe vem cumprimentar
Em outra galáxia certamente não há
Formosura tamanha capaz de irradiar
Demonstra tanta delicadeza
Que é difícil não se encantar

Majestosa, opalina
Tempo e espaço não a afetam
Antes ampliam o séquito dos que em segredo
Nutrem por ela platônica paixão
Não há como observá-la sem suspirar de emoção

Inspiração de poetas em letras e canções
De qualquer ponto e em qualquer parte
Mostra-se suntuosa e perolada
Seu brilho atraí a atenção
Dos que a vêem vagar de constelação em constelação

Desfila graciosamente na passarela do firmamento
Tendo as estrelas e a humanidade como platéia
Encanta com seu caminhar
De sete em sete tempos
Um novo rosto vem apresentar

Seus muitos amantes a definem como fascinante
Debruçados nas janelas, sentados em algum lugar ou deitados na relva
Admiram a cada uma de suas quatro versões
Mas é quando está cheia que seduz e inebria
Até os mais incrédulos corações