sábado, 26 de janeiro de 2013

Conviver



Conviver 

Jokebed L. Taveira

Viver, sentir, querer
Sonhar, se iludir, se desfazer
Morrer para reviver
Ressurgir no alvorecer

Adormecer sem ver
Ter que ser
Ver para crer
Que o dia vai nascer
Depois do anoitecer

Estar presente
De corpo e mente
Se envolver absolutamente
Se dar plenamente
Na busca constante

De um prazer distante
Para viver um instante
Inconstante, pequeno, puro, raro,
Eloquente por vezes demente
Que passa rapidamente


A alguns fere gravemente
A outros mortalmente
Angustiando totalmente
Matando lentamente
Os que sensivelmente
Parecem carentes

Pouco ou nada intelectual
De objetividade banal
Num final um tanto ideal
Para o universo natural
Paralelo ao principal

Um estranho cúmplice,
Um amante envolvente
Que inesperadamente chega
E inevitavelmente sentencia os viventes

Fascinação Lunar




Fascinação lunar
 Jokebed L. Taveira
Linda de se ver
Imponente ao olhar
Mesmo estando tão distante
Diante de tamanha perfeição
É improvável não se apaixonar

A mudança de humor
Não esconde a quem a observa
Há dias em que encara com firme determinação
E noutros prefere encobrir-se na escuridão

Há dias em que parece querer tocar o chão,
Vagando sobre os mares
Noutros some na imensidão
Mas nos dias em que se ilumina
Envolve a muitos no seu clarão

De tão longe vem cumprimentar
Em outra galáxia certamente não há
Formosura tamanha capaz de irradiar
Demonstra tanta delicadeza
Que é difícil não se encantar

Majestosa, opalina
Tempo e espaço não a afetam
Antes ampliam o séquito dos que em segredo
Nutrem por ela platônica paixão
Não há como observá-la sem suspirar de emoção

Inspiração de poetas em letras e canções
De qualquer ponto e em qualquer parte
Mostra-se suntuosa e perolada
Seu brilho atraí a atenção
Dos que a vêem vagar de constelação em constelação

Desfila graciosamente na passarela do firmamento
Tendo as estrelas e a humanidade como platéia
Encanta com seu caminhar
De sete em sete tempos
Um novo rosto vem apresentar

Seus muitos amantes a definem como fascinante
Debruçados nas janelas, sentados em algum lugar ou deitados na relva
Admiram a cada uma de suas quatro versões
Mas é quando está cheia que seduz e inebria
Até os mais incrédulos corações

domingo, 2 de dezembro de 2012

La vie est aussi la souffrance



La vie est aussi la souffrance
Jokebed L. Taveira 

Tento, atento
Quando canso e não mais aguento,
Tento com tanto intento
Que por vezes me arrebento
Espero o tempo lento

Atento ao castigo,
Lamento, mas aguento porque sei que
A vingança é um preto cruento
Ao passo que a serenidade é um poderoso unguento
Que atenua o sofrimento

Às vezes prefiro o isolamento
Para que meu pensamento
Possa voar como um pássaro no firmamento
Libertando-me do tormento
Ardil e odiento

O pensar é latente
Opiniões são imponentes
Ideais são eloquentes
Os pensamentos, os ideais e as opiniões se unem completamente,
Como elmos numa corrente

A guerra e seu tom violento,
O inverno e o céu cinzento
O criador e seu invento
A brisa e solapar do vento
Para cada dor, um alento

Em cada cicatriz, um ferimento
Em cada lembrança, um momento
Em cada olhar, um sentimento
Em cada gesto, um movimento
A cada fase, um renascimento.


sexta-feira, 5 de agosto de 2011

ÁGUA R DANDO MUDANÇAS

Escrevi esse texto um dia desses, depois de ler uma matéria jornalística acerca da escassez de água potável no mundo. Depois comecei a pensar na "falta de água" que temos todo ano no período menos chuvoso, popularmente chamado de verão, aqui, em nosso Estado. Daí lembrei das minhas redações do tempo de escola e o resultado foi esse aí.


Água que molha

Água que refresca

Água que corre

Água que seca




Algo que consome

Algo que some

Algo que breca




Vida que se esvai

Vida que se exaure

Vida que resseca




Lágrimas de areia

Boca seca

Suor de ar

Não dá mais para chorar




Mares de óleo e peixes de metais

Córregos de lixo

Chuva de fumaça

Poços? Será que ainda posso?




Proteja nossos mananciais, você ainda pode!

Jokebed L. Taveira